A SARÇA E O CREPÚSCULO


Uma língua de neblina,
come o firmamento.
O pêndulo do relógio come o
silêncio em braveza.
E' um beliscar no tempo,
uma instabilidade travessa.
O céu desenrola-se em estrelas.

De repente um cometa,
atravessa a servir de reclame.
Crepúsculo.
O dia não vem.
A noite não vai.

E' o momento de inocência,
como se crianças fossemos.
Lembrar a boneca de pano,
A pandorga rasgada.
Assim nos sentimos distintos.
Somos almas; como nunca.
O destino esta no regaço.
O passado aos pedaços.
Futuro é uma muralha de estrelas,
que não se repetem. Desenrolam-se!
A noite é vazante. E o dia, chegará
em instante.
Alguns minutos, a chegar.
Origem e raiz.
Nesta solidão mal nos ouvimos.
A saudade toca-nos como sinos.
Nossa almas se alimentam.
Do nevoeiro que penetra
as sarças em chamas.
E não se queimam!
Outras vozes nos alcançam.
São os Anjos a comungar!
E estamos, um diante do outro.
Neste momento crepuscular.


( Don Antônio Maragno Lacerda )

 

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