Quantas vezes, ensimesmados,
ficamos frente a frente, olhos nos olhos,
mãos entre as mãos.
Nos fitamos e as mãos se acariciam afetuosamente.
Desperta-se-nos, então o Instinto.
Humanizam-se os divinos.
Minhas mãos cofiam-te os cabelos,
as tuas os meus desgrenham!
Os olhos, inda há pouco, tão serenos
ora lampejam, chispam faiscam;
os lábios, já febris, se aproximam
se unem loucamente e doudamente
se beijam, qual doidivanas!
A doce e amena brisa agora é vendaval,
o calor que nos animava,
fogo devastador!
E, de inopino, dois amantes desvairados
entregam-se um ao outro,
a toda a sorte de carícias e se
AMAM...
Logo mais, dois corpos exinanidos,
num torpor divino,
quedos,lado a lado, fitam-se,
bejam-se e adormecem!
Mas, isto, querida,
eu nunca diria em versos