O QUE NÃO DIGO EM VERSOS
 
 
Tenho escutado não de Amor, mas, de amores
cantares tantos,
que de pejo cora a face
o próprio Amor Menino!
Versos extemporâneos, inoportunos,
frutos de climatérios
ou na menopausa engendrados.
Descabidas descrições  de cenas
e situações jamais vividas!
Porém, o meu amor por ti, querida,
não me permite expor-te em versos,
macular-te a intimidade. 
O nosso amor
não é esse alarde de
imaginação pouco fértil,
de imaginação estéril
e  criaturas estéreis.
O nosso amor, vivo-o eu.
vive-lo tu, intensamente.
É um amor velado em sonhos,
mas,vivido em realidade.
É um  sentimento puro, de candura tal
que nos enleva e nos eleva aos céus
e nos envolve  em auras que
nos leva a pensar 
que divinos  somos!
 
Quantas vezes, ensimesmados,
ficamos frente a frente, olhos nos olhos,
mãos entre as mãos.
Nos fitamos e as mãos se acariciam afetuosamente.
Desperta-se-nos, então o Instinto.
Humanizam-se os divinos.
Minhas mãos cofiam-te os cabelos,
as tuas os meus desgrenham!
Os olhos, inda há pouco, tão serenos
ora lampejam, chispam faiscam;
os lábios, já febris, se aproximam
se  unem loucamente e doudamente
se beijam, qual doidivanas!
A doce e amena brisa agora é vendaval,
o calor que nos animava,
fogo devastador!
E, de inopino, dois amantes desvairados
entregam-se um ao outro,
a toda a sorte de carícias e se
AMAM...
Logo mais, dois corpos exinanidos,
num torpor divino, 
quedos,lado a lado, fitam-se,
bejam-se  e adormecem!
Mas, isto, querida,
eu nunca diria em versos
 
  ( L. A. SAMPAIO )
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