NÃO SEI SE VALE A PENA...



... e eu te amei!
Oh! se te amei e como amei!
Amei-te até com liberdade, quando nem liberdade havia...
quando o que valia era a mais-valia,
quando o meu dorso era fustigado, como o de azêmola passiva,
pelo azorrague da selvajaria capitalista.
O bando vulturino de inquisidores de meia-tigela farejava-me
"quaerens quem devoret",a Pátria estava nas mãos de soldadinhos de chumbo,
carrascos travestidos de heróis.
As águas do Araguaia banhavam-me o corpo,
suas areias escaldavam-me os pés.
No Bico-do-papagaio havia decepções.
Vi, naquelas paragens, perderem-te irmãos amigos,
amigas amantes,
perderem-te, quando não podiam nem deviam perder-te.
Não temi perder-te, mas, agarrei-me a ti ferrenhamente,
na ânsia incontida de ver tudo mudado.
Queria paz, trabalho, terra para plantar,
comida para a panela, escola e hospital para meus filhos,
queria liberdade.
Mas nada disso aconteceu. Tudo continua como dantes,
o quadro é o mesmo, nada mudou.
Mas, tu continuas minha, ó Vida,e eu continuo a amar-te...
só não sei se vale a pena...

( L.A.Sampaio )
 

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