ACALMA-TE

 

Às vezes, quando falo de teu corpo, é porque já amo a tua essência.

E se falo é porque o desejo.

Mas daqui a pouco vens me falando em forma de cânticos.

Cheia de medos, de dúvidas. Ansiosa és e assim me deixas.

Ah! esse teu jeito me mata e me deixa a pensar tantas coisas...

Não se esqueça de falar de coisas que sentes vontade.

Siga teus impulsos naturais.

Acalma-te.

Suponho que jamais iremos nos ver.

Mas estamos penetrando um na alma do outro.

Isso está no centro do nosso desejo, muito além de nossas forças.

Peço-te para que sintas a paz que esse nosso encontro nos deu.

Essa distância, que afasta corpos, é a mesma que juntou as nossas almas.

Por isso preciso sempre saber de ti.

Claro que te quero bem, te amo e trago comigo sempre os melhores sentimentos para ti.

Mas sabes desse meu jeito, assim como sei do teu.

Refiro-me ao jeito de gostar e de amar um ao outro.

Coisa estranha e tão clara.

Imperceptível aos olhos e à sensibilidade de muitos.

Acalma-te.

Olho em ti e sinto vontade de oferecer-te um poema.

Tu, merecedora que és de tantos poemas.

Musa dos embevecidos, sol dos retirantes, brisa mansa dos quem têm fé na vida.

Tu que tens encantado a tantos não ignora o olhar que mora em mim.

Seta que vê em ti uma jovem enamorada.

Olhar de quem vê além da hora marcada, além do hoje, do agora.

Mas que vê e percebe o amanhã, principalmente quando nele não estou.

Isso chega a me fazer pensar, mas logo esqueço e te procuro aqui.

Eu sou assim. Não sei ser diferente.

Por mais que o mundo me indicasse caminhos outros que não esse em que estou.

 ( Luiz  Maia )

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